Um rio cheio de amor banhava uma rocha afiada, deixada ali pela gravidade. O rio paciente e inteiro envolvia-a com ternura, tentando moldá-la com luz, calor e entrega. A rocha, com medo de ser levada e despedaçada, tudo fazia para resistir. Cada vez que resistia, algo nela se partia. Tudo o que a rocha queria era ir com o rio, mas tudo o que fazia era ficar à margem. Parecia odiar o que mais amava e feria. Eventualmente, o rio passou: esgotado, turvo, desvalorizado e desacreditado no amor, sem saber que foi o rio mais especial que a rocha já viu, limpo, vivo. Que o que ela mais queria era ir com o rio, mas querendo dar tudo, nunca deu nada e odiava-se por isso. A rocha, após tantas tentativas, já estava partida em pedaços, e tanto que o tentou evitar! Agora, olhava o espelho, formado pela areia queimada e só via o reflexo da culpa e da impotência sobre as suas ações. Acreditem, ela tentou!
Conto-vos a história, não por motivo egoísta, mas apenas para saberem o quão especiais são e que sempre estarão seguras com a rocha, que se sacrificará para não poluir mais o rio.
Autoria: Anónimo