O Natal não passa de um espetáculo de frivolidades. Desprezo e rejeito com todos os meus átomos o ato de "aMoR" programado, como se de um veneno se tratasse. As luzes elétricas que, ao prometerem decorar as ruas e as casas, apenas servem para mascarar a podridão negra dos corações e construções humanos.
Que se tranquilizem! Preocupem-se somente em dezembro com quem vos rodeia e com quem não vos rodeia, mas que é muito carenciado. Essas pessoas preguiçosas. Contem histórias fantásticas às vossas crianças e ponham as caras delas em anúncios da FNAC para vender os vossos produtos, que são exatamente o que lhes falta para sorrirem! Cuidado, que depois os miúdos falam entre eles sobre o que receberam e não queremos parecer forretas. Encham-nas de chocolates e bolos, que isso é que é abundância. Comprem o que a vossa alma não tem, sintam-se saciados pelo menos uma vez por ano.
Na verdade, eu já gostei do Natal. Hoje em dia talvez faça do Natal bode expiatório, porque cresci. A minha família está dispersa e não temos árvore na sala, mas não é só a magia natalícia que me falta, aquela da infância e da televisão. Falta-me a inocência de não saber o que é o mundo. O Natal é um evento económico. O Natal é a altura certa para mostrar afeto por alguém. O Natal desperta em nós uma solidariedade pontual. Tudo isto me entristece.
Para além disso, irrita-me que já haja luzinhas de Natal montadas antes do Halloween. Boas festas.
Autoria: Vara Verde