É disto que dezembro é feito.
É esperança inacabada,
Memória de um passado não vivido;
Odor a vida inesperada,
Um segredo não ouvido.
É visitar parte de mim inabitada,
Confiança desconfiada.
Alma tímida a teimar
Por um medo quase meu.
Há vida no que não sei,
Há receio no “encontrar”.
Explico o que não sei sentir,
Sinto o que não sei explicar.
Dezembro vem e eu não sei ser,
Só sei que medo é engano,
E engano é não viver.
Dezembro são ecos do que não ouso,
Canção esquecida que pouco ouço.
Fado perdido, prece suspensa.
Orar contigo, talvez aqueça.
Guardo o teu odor
Em pequenas dobras de memória.
Fico num abraço que demora,
Pois visitar-me onde me temo
É a melhor forma
De ficar onde não conheço.
Sei de cor
O sorriso dos teus olhos,
O sotaque dos teus dedos.
Ensaio o que não digo
Num papel,
Descrevo na minha
A tua pele.
Não tenho muito a dizer.
Apenas que dezembro soube habitar
No teu abraço
E adormecer.
Autoria: Mafalda Vaz