Carta 1/7

Houve alguns momentos antes daquele dia em que senti que me podia apaixonar por ti. Não se tratava de todo de um crush, mas de uma impressão que invadia os meus pensamentos de forma esporádica e casuística, como uma brisa fresca num dia quente. Surpreendias-me com os pedaços de ti que partilhavas, as tuas palavras, a tua voz, os teus gestos. Revelava-se, em cada uma destas vertentes, tanto a sensibilidade que tens para com o ambiente como a tua personalidade arisca. Iluminava-se sequencialmente a tua figura, aresta a aresta, e já nessa altura eu queria ver mais de ti. Mas sem qualquer expectativa: conhecer o que davas a conhecer. Entretanto mudámos, agora gostava de te abraçar uno. Escolhi a palavra abraçar porque quero dizer que não exijo conhecer todos os teus recantos, há lugares em cada pessoa que são só seus. Da mesma forma, não quero escolher a face que acarinho, mostra-te-me, a luz e a sombra, porque é a lenta gradação e o contraste afiado entre a luz e a sombra que permitem a percepção em profundidade. E eu quero conhecer-te em profundidade, a cores e a três dimensões! Talvez até a quatro, tendo em conta a linha do tempo, ou a cinco, considerando o amor que por ti nutro, dimensão mística. Mas não me interessam os mistérios do amor quando te olho, quando te toco, quando te beijo, quando me faltas, interessas-me apenas tu, a tua forma de viver, o nosso amor. Amo-te e quero ver-te colher os frutos do que cultivas no mundo.

Autoria: cardo oriano