Sem ti de nada vale.
Os pássaros não piam
O sol não brilha
E a palete não tem cor.
Sem ti de nada vale.
A música não tem som
O rio não tem água
O filme não tem imagens.
Sem ti de nada vale.
A bicicleta sem rodas fica
O carro sem combustível para
E eu sem sentido padeço.
E por mais que tente
Que force ou me esforce
A cor não volta aos meus olhos
Nem as rodas à bicicleta.
Tudo é de chumbo
E arrasto-me pelos campos
Em busca do teu olhar.
Ao longe, fugidio, como miragem.
Julguei ver-te por entre arbustos
Julguei mas foram sustos
Que à minha alma pregavam
As emoções endiabradas.
Sem ti já nem elas se comportam.
Sossegadas que estavam antes da tua partida.
Agora choram dia e noite
E apraz-lhes serem más para comigo.
Sem ti de nada vale.
E os cumes e vales por onde circulava
Minha loucura de amor
São agora um abismo sem fundo
Ao longo do qual te vejo
Sem te alcançar.
Autoria: Ricardo Silva