“Sinto-me sujo,
tomo vinte banhos por dia e sinto-me sujo”.
Dizia sempre o impecavelmente asseado
Sr. Orlando.
Afogado num fervor de Sísifo tentava lavar em vão
o vírus inodoro
que havia contraído há quarenta anos.
Pobre Sr. Orlando… talvez um dia
inventem algum gel
que limpe o ar em seu redor
do cheiro acre, nauseabundo do
preconceito
que se lhe entranhava
na roupa, na pele, no cabelo…, mas sobretudo
no peito
e lhe desbotava o olhar
como fumo de tabaco.
Autoria: Miguel

