Nos teus olhos escrever o sonho
Com que me guio no alto mar ondulante.
Sou náufrago nos teus lábios tortuosos
Pirata de sentimentos alheios.
Na tua pele desenho rios
Afluentes do meu sentir.
Da tua língua emanam fios
Com que teço meu viver.
Tuas asas de imaginação perene
São o castelo do meu futuro,
Que de areia em granito se tornam
Em palavras murmuradas ao silêncio.
Deita teu singelo corpo nos lençóis sujos da minh'alma
E sente minhas penas consporcadas pela dor.
Que de meu voo efémero se alijeiraram
Não fosse eu sentir menos por mais.
Sem propósito nem pensamento
Teus olhos sobre mim repousam
Noites inteiras, incansáveis.
E eu, entregue ao desalento
De poetas que por mim velam
Escrevo débeis palavras, imemoráveis.
Nada te faz jus, anjo doce e capaz
Que de chocolate e amêndoas te cobres.
Em ti vejo o mundo, do outro lado do vidro
Que insensivelmente nos separa.
Não tomes minha mão
Sabendo a sina que te espera.
Autoria: Ricardo Silva