Almas fraturadas

Gostava de ser inteira de mim

Todos os bocados

Juntos ou separados

Meus, aqui, comigo

Mas cada um que passou

Que tocou, que roçou, que beijou

Levou o seu bocado

E fiquei eu, ou o que resta de mim

Sem roubar bocados

A quem toco, roço ou beijo

Porque não cabem em mim

Não roubo almas alheias

Ou esperanças perdidas

Sonhos, contos ou pontos

Mas roubo mágoas

Roubo dor

Roubo sofrimento

Roubo angústias

Com o pouco que me resta,

Sou ladra do que não quero,

Sou ladra do que não gosto

Porque almas fraturadas

Já existem em demasia,

E se puder ficar só uma,

Que seja a minha.

Autoria: anónimo