Incerteza

Dizem filósofos da mente um parlamento de ideias,

lugar de raciocínio metódico

e de arbítrio livre só nos livros,

sempre ocupado nos votos e argumentos

que decidem ao ego seu novo líder;

figurante este ocupado

com apaziguar as trevas da alma –

câmaras defumadas e vulgares

como o barril de pólvora,

sempre acesas com os sussurros da insurreição.

Persistindo assim a questão:

quem são os revolucionários,

os ditos dignitários desta política

ocupados com a destruição

dos comandantes do nosso crânio?

Serão estas sombras (de Jung oriundas)

fortes de mais para a hegemonia do ser,

incapazes de conter suas manias

para que o líder, em seu favor, possa as leis mexer?

Afinal, não levanta o corpo sem propósito

e muito menos a mente com este a mais;

sendo sempre então melhor

o homem de ideia certa,

consciente de suas cogitações

e com candidato em preferência

para levá-lo à excelência.

Porque poucos são esses com os córtices em domínio,

o resto, perdidos no frontal,

sentam-se como o Pensador a cogitar

o sucessor pronto para lá ir,

já no parietal Bastilha a cair

e as cabeças a rolar.

O líder, inócuo e néscio

ao futuro que o povo lhe traz,

incerto de onde está

e irrequieto como as multidões agitando Versalhes,

come o seu bolo e esquema o dia

enquanto seus ministros,

seguros na fealdade das sombras,

preparam ao sucessor

a ilha para onde o condenar.

Autoria: Bernardo Lopes