Porque não a poesia ou outra coisa qualquer
Porque não a física, porquê uma mulher
Porquê um céu de deus e porque não o que eu quiser?
Não piscam as estrelas como piscam os seus olhos
Não envelhecem os seus pés mais depressa que a cabeça
Não há gravidade no mundo como há no seu umbigo.
Tem cabelo o meu buraco negro
Tem luz que chegue para eu ler de noite
Tem o que vi na vida de mais belo,
Mais belo que o círculo preto com o anel amarelo.
O teu silêncio são as luas de Galileu laureando
no teu tempo em metros, trauteando.
Meu amor, a singularidade és tu.
Louca serei, para um dedo teu olhando.
Lopes Matos

