Dar a Mão

Eu vejo nos teus olhos,

Eles mudam com a luz, meu coração,

Como tu mudas a quem dás a mão.

Um dia dás-me a mim, no outro, ao medo

E ainda pensas que isso é um segredo.

Assusta-te cativar uma mente,

Que tenha o poder de te arrebatar instantaneamente.

E os momentos de felicidade doméstica

(Na cozinha, ambos a dançar,

Os cereais que fazias questão de preparar

Os beijos nas cicatrizes, sem questionar

Os abraços nus para acalmar

As promessas de um futuro mostrar

Estetoscópios só para desafiar.)

Despersonalizam-se de forma tão céptica.

Naqueles dias passados na minha vida,

Prevalece esta sensação desmedida

Em que sentias o imenso calor do sol,

E ainda reconhecias teu lar casa e farol

Sobre esta intempérie de escuridão,

A quem decidiste dar a mão.