Quando ela morreu,
Tu ansiaste conseguir voltar a gritar,
Eu resignei-me a saber que nunca ia parar.
Quando ela morreu,
Tu recuperaste a tua amada liberdade,
Eu abandonei a minha preciosa sanidade.
Quando ela morreu,
Tu inspiraste e expiraste bem fundo,
Eu asfixiei-me naquele abismo profundo.
Quando ela morreu,
Tu aceitaste o mundo e toda a sua luz,
Eu renunciei o Amor exposto na cruz.
Quando ela morreu,
Tu roubaste a minha dor num só beijo,
Eu entreguei-me ao teu maior desejo.
Quando ela morreu,
Descobrimo-nos pela primeira vez,
Neste insaciável limbo de nudez.
Ontem, quando Ela morreu.
É hoje, quando Ele nasceu.

