Autodepreciação

Estou hoje consumido por mim. Nem sei que dizer… A vergonha, o ódio próprio e a ideia destes que me deixa com a simples vontade de deixar para trás tudo isto e abraçar o nada de uma vez por todas. Que interessa?! Eu, eu, eu, eu, que me tento desprender de mim, e a única coisa que consigo é olhar-me e chegar a conclusão nenhuma. A vergonha de existir, a culpa de ser eu; que não escolhi ser… Arre; os outros, que falta sentirão deste imbecil corpo andante? Não vejo razão para existir sequer. Tudo é vago, e a zanga que nutro por mim rói-me a indecente alma ardente de pensamentos. Para quê pensar, para quê? Para quê isto tudo ou nada disto? Se me conhecessem verdadeiramente, ai, se me conhecessem verdadeiramente… Não veriam senão merda em jeito ambulante e divagante pelas ruas construídas por gente. Nunca deveria ter nascido. Não culpo quem me teve; se há alguém meritório de julgamento sou eu, eu, eu… Um erro; tal como se apaga um rabisco mal feito, também eu deveria ter sido esborratado pela borracha da vida. Nem sei… Viver? Gostaria disso, mas para que me serve viver, se eu, nada mais sou que eu? Um corpo lastimoso e uma mente perversa. Quando era pequeno e tive a oportunidade de apagar o erro cometido não o fiz; agora, que estou coberto de pelos, não sei para que sirvo. Nunca fiz nada. Sempre fui a desgraça na forma de gente. Para quê, para quê?! Para me ver sozinho, encharcado em mim próprio, sem fuga possível na marcha da vida; a saída pela morte. Os que me viram a carne, se lerem o que escrevo, desculpem-me, desculpem-me eu; estou consciente do erro imenso que sou.

Autoria: Bernardo Rodrigues