Amo-te e quero te ver mudar perante os meus olhos, estar contigo onde fores parar. Amo-te, Pedra. E sinto-me confortável quando o digo, nunca ninguém foi tão digno de tal declaração, só em livros e histórias imaginei um amor tão natural.
A frequência dessas impressões aumentou. Apaixonei-me por ti, ou tomei consciência desse estado, na semana seguinte, tendo voltado às seis da manhã de tua casa à minha. Lembras-te desse convívio? Descansei, acordei e, a meio do dia seguinte, escrevi:
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Se continuas assim
Apaixono-me
Ai não
I know
It's only the tip of the iceberg
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Para me apaixonar por ti tive apenas que te conhecer. Para te amar tive apenas que passar tempo contigo. Cerca de duas semanas depois, escrevi:
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Amo-te de uma forma ridiculamente aguda, crónica, irrepreensível, pálida de vida, recheada de sonhos, risonha, esbugalhada, desconfortável na distância, de suave tonalidade, cores pastel, sabor mel, arrastada como cirrus, persistente como o apito do comboio ao longe... comboio perpetuamente afastado. Não o apanhemos, deixemo-nos ficar de mãos entrelaçadas, respirando o sal do mar. Mas vamos juntos, vem comigo ver as pastagens mais verdejantes, as cascatas mais aceleradas, os desfiladeiros mais enevoados, as cidades mais castanhas, para melhor nos admirarmos um ao outro, em oposição ao ambiente. Que nada te faz frente, nada questiona a causa, o efeito, a variável, a constante que me és. Vem comigo fazer pouco do que podia ser mais belo que tu, mas não é.
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Dois dias depois, beijámo-nos pela primeira vez no teu sofá, estava meio caída para o teu ombro.
Autoria: Cardo Oriano