A poesia está na rua

Foi em tempos verde seiva a
secura outonal na tua mão.
Restolho pilhado morto compresso
foi fluxo, gesto — foi acção.

Cobres-me crude a traços de gesso,
deitas-me fogo, faço-me lume.
Será calor… um novo começo?
Ou o estertor da luz no negrume?

Sorves-me o peito, dissolves-me em névoa,
torno-me cinzas de alento desfeito
e somem no vento velhas promessas
de incêndio bala turbilhão. Tomei

beleza quimera por ímpeto leão
mas morre a forma no seu leito —
cai beata em branco chão.

Nunca de palavras de papel
— estéreis e estáticas —
se fez revolução.

Autoria: Miguel