Corpo

Continuo a tentar transformar 
Impulso em forma.
Dar corpo ao que apenas sente,
Num murmúrio constante de quem não sabe onde se deixam as palavras.

Sinto-me vertiginosa;
Não há nada de milagroso no desespero de
Precisar dos outros para saber que eu sou eu,
Pois o meu corpo só é digno quando lhe tocas
E as palavras só fazem sentido se as ouvires;
Eu que nunca fui um corpo
Encontro agora medo de ser corpo.


Autoria: Anónimo